Artigo: O ESCUTAR EFETIVO


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 Thirza Sifuentes – Especial para o Admite-se 23/09/2009 10:02

Gosto muito do Rubem Alves quando ele fala sobre nossa sociedade moderna. Segundo ele, as pessoas andam muito preocupadas em aprenderem a falar, fazer cursos de oratória para melhor se comunicar. Mas, tem pouquíssima gente preocupada em aprender a escutar.

Talvez, devêssemos “deixar de fazer cursos de oratória para começarmos a fazer cursos de escutatória”, é o que Rubem nos diz. Concordo com ele, especialmente naquilo que diz respeito ao mercado de trabalho. Precisamos aprender a escutar o mercado para então entendermos como responder a ele. Mas, como fazer isso? Primeiramente é importante explicar aquilo que estou chamando de escutar.

Escutar não é apenas um ato fisiológico, nem tampouco um dos cinco sentidos. Isso é ouvir. Ouvimos o barulho da rua, o passarinho cantando, o barulho dos carros. Ouvimos muitas coisas ao mesmo tempo sem nos dar conta. Mas escutar é diferente. Escutar é ouvir mais interpretar. É focalizar aquilo que é importante para nós; aquilo que se destaca e que nos faz sentido. Gosto da expressão “sou todo ouvidos”.

Ser todo ouvidos significa que preparo meu corpo, minha razão e minha emoção para o ato de escutar.

Preciso estar em sintonia com a minha história, valores e referenciais para melhor entender o lugar a partir do qual escuto. Pensar assim, coloca-nos no centro das nossas possibilidades. Leva-nos a crer que somos aquilo que queremos ser, porque escutamos da forma como escolhemos escutar. Isto é, lidamos com o mundo a partir daquilo que conseguimos escutar (interpretar) dele. Isso nos leva ao segundo ponto: precisamos aprender a escutar a nós mesmos.

Você já observou como tem sido grande parte de nossas conversas hoje em dia: – Olá Fulano, tudo bem? – Tudo, Beltrano. E você, como vai? – Bem, bem… Naquela correria de sempre. – Eu também, mesma correria…

 O que esse dialogo revela sobre nós e a nossa escuta? Estamos tão focados naquilo que achamos que temos que fazer, que não há tempo para escutarmos aquilo que verdadeiramente queremos fazer. Assim, fazemos diversas coisas que não são necessárias.

Mas não paramos para perguntar se são. Entramos na “roda-viva” sem conhecer ou perguntar sobre as regras do jogo. Partimos do pressuposto de que é óbvio. Tecemos linhas gerais acerca de nossas impressões sobre um bom emprego, sobre ser bem sucedido, pensando em alguém como modelo ou padrão, e achamos que isso é suficiente para entrar no jogo. Essa forma de agir, esse jogo que impele a correria, constrói em nós uma sensação de “insatisfação garantida”. Estamos sempre a um passo daquilo que pensamos querer. Por isso, não podemos parar. Temos que continuar buscando. Afinal, estamos tão perto…

O jogo nos manda ser fortes e competentes. Porém, alguns entram em crise por não saberem que caminho escolher e como se posicionar. Há aqueles, também, que continuam pensando que sabem e, assim, giram a roda, pelo simples hábito de girar.

Não é à toa que vemos hoje tantas pessoas sofrendo de síndrome do pânico, TAG (transtorno de ansiedade generalizada) e depressão. Escutar-se a si mesmo não é isso. Tem a ver com silêncio e com desejo. É a capacidade de entendermos aquilo que nosso corpo revela sobre nós, de nos conhecermos mais e descobrirmos nossas potencialidades e dificuldades. É sondar nossas motivações e sonhos para, a partir deles, construirmos nossas realidades.

Em agindo assim, conseguiremos melhor escutar o mercado de trabalho. Em um mundo que clama por agilidade, é importante estar conectado consigo mesmo para não se perder nele. Se sabemos onde estamos, fica mais fácil pensar no que queremos e, então, no que podemos e devemos fazer para ressaltar nosso potencial. Diante disso, ficam algumas dicas: Escute a si mesmo; Busque compreender o que você quer para então pensar no que precisa para alcançar seu desejo; E que consigamos ser todo ouvidos para nós mesmos e para o mercado! Talvez aqui esteja a primeira lição da escutatória.

Thirza Sifuentes é psicóloga sócio-educacional e clínica, coach Ontológica Empresarial e mestre em Psicologia na UnB (desenvolvimento humano). Consultora em gestão de pessoal e relacionamentos (organizacional), Thirza é pós-graduada em Psicodrama e tem experiência no estudo da abordagem psicopedagógica organizacional e em pesquisa científica em diversas áreas da psicologia.

Enviado por Angela Scorsin

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