Autoestima e confiança nas relações de trabalho


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Por Angelica Kernchen – Jornal Carreira e Sucesso (Catho)

Para realizar tarefas com propriedade e segurança no ambiente profissional, é vital acreditar em si mesmo. Porém, uma pesquisa feita pela International Stress Management Association – ISMA-BR – com 760 homens e mulheres que trabalhavam em multinacionais, apontou que 59% dos brasileiros têm baixa autoestima.

Para a pesquisa foram analisadas 4 variáveis: autoestima, autoconfiança, otimismo e, em contraponto, o burnout, que é o maior nível de estresse que uma pessoa pode adquirir. No entanto, é importante diferenciar autoestima de autoconfiança. A primeira trata da percepção que uma pessoa tem sobre si própria, como ela percebe sua autoimagem. Já autoconfiança é a maneira como ela vê que desempenha as tarefas do dia a dia, como enxerga sua capacitação. Enquanto um é sobre a pessoa, o outro tem a ver com competência.

Ana Maria Rossi , presidente da ISMA-BR e dirigente da Clínica de Estresse e Biofeedback , de Porto Alegre, diz que a autoestima geralmente é formada até os 7 anos de idade. “Não é que ela fique imutável depois, mas é formada nessa fase. Nesse período, o ideal é que a criança seja educada por adultos saudáveis, que dêem a ela estímulos e tarefas condizentes com sua idade e que a encorajem a verbalizar sua posição. Isso não quer dizer não ter limites… se ela expuser sua opinião em momento inoportuno, em vez de um adulto revidar com agressividade, ele poderia dizer ‘quero te escutar, mas espera concluirmos aqui e já conversamos’. É tudo questão de como os limites são estabelecidos. A criança precisa ser encorajada a buscar desafios. Crianças assim tendem a ter muito mais autoestima, tendem a encarar os obstáculos da vida como desafios, e se preparam pra abraçá-los”.

Maria Cecília de Abreu e Silva , psicóloga e orientadora profissional, diz que alguns estudos demonstram que medidas educativas baseadas em agressão física, verbal e negligência também estão relacionadas com a ausência de autoestima. Ambientes e relacionamentos baseados em cobranças excessivas, críticas e ameaças também interferem nesse sentimento. Uma pessoa com baixa autoestima pode assumir dois tipos de comportamentos típicos: no primeiro, ela pode usar a agressividade como defesa para acobertar que se sente frágil. Segundo Ana Maria, a postura dela é de “que eu estou bem e o mundo não está, então preciso agredir para mostrar como ele deve ser”. Se não for assim, ela pode se tornar extremamente passiva, retraída, temerosa do mundo e tentada a ceder quase sempre, pois nesse caso “ela não está bem e o mundo sim, então ela não verbaliza nada, não expõe opiniões, pois acha que as pessoas não vão entendê-la, que vão achá-la ridícula”.

Maria Cecília diz que a falta de autoestima atrapalha o processo contínuo de aprendizagem. “No ambiente profissional, isso afeta a capacidade de avaliar com clareza as situações, dificulta a resolução de problemas, e pode impedir a pessoa de expor boas idéias. Pode levar a uma limitação em reconhecer o valor do outro, dificultando o trabalho em equipe”, explica. Ela diz também que autoestima inclui respeito por si próprio, e que se não soubermos fazer isso, não conseguiremos impor respeito aos outros. “Facilmente a pessoa se coloca em relacionamentos abusivos. Pode ser um chefe que aja de maneira abusiva ou um colega que a assedie moralmente.

A baixa autoestima está relacionada a uma série de complicações, e nesse sentido, os relacionamentos são campo fértil”, conclui. Já Lygya Maya , coach, palestrante e escritora, diz que uma pessoa sem autoconfiança não tem voz, que não consegue falar por si própria. “Para exemplificar, podemos citar aquele profissional já está trabalhando há muitos anos, é esforçado, faz horas extras, mas nunca consegue uma promoção. É muito comum que ele veja um colega, que não trabalha tanto quanto ele, ser promovido. A autoconfiança ajuda esse profissional a identificar que ali está havendo uma injustiça, ir ao seu gestor e conversar sobre o caso. Já a pessoa que não confia em si, tem medo. Esse medo gera um congelamento de suas ações”, explica Lygya. E se pensarmos que depois do sete anos de idade não se pode desenvolver autoestima, então o interessante é encontrar mecanismos que possam modificá-la. Algumas técnicas e, eventualmente terapia, podem ajudar. “O mais importante que essas pessoas tenham consciência do fato de que precisam se ajudar, mudar o comportamento, algo que faça com que elas saiam dali”, completa Ana Maria.

A maneira como uma pessoa se projeta, como expõe a sua autoimagem, é muito importante no mundo corporativo. “Um profissional pode até ter uma autoestima mais alta, ser segura, mas ser um performer, falar bobagem, e mesmo assim ser reconhecido positivamente. É claro que se ele fala para grupo especializado de pessoas, ele vai ser bombardeado. Mas pra uma audiência leiga, se você fala com segurança, não vão te questionar. Do contrário, existem pessoas extremamente sábias que são introvertidas, ou não conseguem verbalizar de forma articulada, interessante, e assim não despertam atenção”, contextualiza Ana Maria.

As empresas podem incentivar uma mudança de comportamento em profissionais com esse tipo de carência, e a valorização do indivíduo é a chave. “Se um profissional não se sente gratificado e que sua contribuição está sendo valiosa, isso vai certeiramente afetar sua autoconfiança, e, depois de um tempo, sua autoestima. Pode-se dar mais reconhecimento a esse profissional, dar valor ao que ele passa. Uma pessoa com autoestima e autoconficança elevada é uma pessoa altamente motivada e satisfeita com aquilo que faz, e isso é benefício para a empresa”, diz Ana Maria, e Maria Cecília completa: “sentir-se valorizado no trabalho é um importante preditor de autoestima, que pode ter resultados interessantes. Cabe a cada empresa encontrar o seu próprio caminho”.

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