O que você faria se não tivesse medo?


 

 

Sou um tipo de pessoa que não gosta muito de escrever sobre o que penso,  minhas opiniões, discordâncias, vontades, amarguras, etc… por várias razões. Mas isso não impede que eu admira quem o faça… E nesses últimos meses, tenho lido, ouvido, visto e convivido com tantas opiniões, formas de ser e pensar, motivações, engajamentos, esperanças, desabafos…que hoje pensei: tenho acumulado tanta coisa positiva ultimamente que já está na hora de me manifestar…e como não sou negativa, nem polêmica, nem amargurada, vou fazê-lo somente com as absorções positivas que tenho tido ultimamente.

Gosto muito de falar, mas mais da minha vida do que dos outros…mas quando é para pensar sobre a atitude ou palavras do outro, fico em silêncio…não para julgar…mas para tentar ver o lado bom dessa pessoa, e seu eu não o vir, eu decido na hora me afastar. Por isso, quem me conhece sabe que se eu me afasto é porque algo ou faz mal a mim, ou a ela.  (claro, que muitas vezes a distância é por incompatibilidade de agendas, mas quem eu amo sabe, porque me manifesto sempre…)

Mas falemos de coisas boas….nessas minhas viagens para participação em eventos, sempre digo que volto mais rica…(não, não estou falando do cartão de crédito….ai ai) mas rica em conhecimento, em cultura, em livros e em pessoas…

Nesse último congresso no qual participei em São Paulo, o fabuloso COINS aprendi muito….tanto…que muitas vezes só por estar ao lado de pessoas empoderadas e formadoras de opinião, eu já aprendia por osmose.

E comprei alguns livros…ahhh como os amo…e hoje lendo um deles (que adquiri também recentemente em um evento de Secretariado – FISEC RJ 2017 – “Olhe mais uma vez!” do apaixonante Moacir Rauber), me deparei com a seguinte pergunta:

O que você faria se não tivesse medo?

Que pergunta forte!!! Me veio na lata uma resposta – que não vou compartilhar com vocês, sorry, mas a partir dessa resposta comecei a refletir e cheguei a conclusão de que eu não tenho medo de coisa alguma….não é pretensão de minha parte não…claro…tenho medo de perder meu filho…medo da violência…medo de passar fome, medo de altura, medo de cigarra…mas não é esse o ponto.

Quando digo eu não tenho medo de nada, eu quero dizer que não tenho medo de mudanças, quero dizer que não deixo de fazer algo que eu queira muito – contanto que não machuque ninguém (e olha que muitas vezes já machuquei sem a intenção) – e chego a conclusão que eu vivi tudo o que eu queria viver, porque não tive medo…

E pela primeira vez, fiz as seguintes perguntas:   se eu tivesse medo de ter largado o emprego de salário alto…se eu tivesse medo de ter andado sozinha pela madrugada do RJ ou SP, se eu tivesse medo de ter feito minha primeira viagem internacional sozinha, (não teria sido detida na imigração e não teria tanta história pra contar hahaha) se eu tivesse medo de fotografar um show de black metal de madrugada nos confins do DF, se eu tivesse medo de ter tido um filho, se eu tivesse medo de fazer uma tatuagem por doer, ou pelo o que os outros iriam pensar, se eu tivesse medo de viver sozinha após perder pai e mãe, se eu tivesse medo de ficar endividada e não ter tido momentos em que conheci pessoas excepcionais ou participei de um show inesquecível, se eu tivesse medo de ser largada, ou ser traída, se eu tivesse tido tantos outros medos….

São tantos “se”…que se eu tivesse obedecido alguns deles, hoje não teria vivido, não seria plena, não seria feliz…

Até a solidão que hoje é o que ainda me faz chorar e me sentir infeliz,  tenho tentado dar um passa fora e não esmorecer… (quem sabe da minha história sabe que meu marido, por condições que fogem ao nosso alcance, trabalha em outro Estado e nos vemos apenas uma vez por mês).

Bem, mas como esse é um blog profissional e não de desabafos, a mensagem que quero deixar aqui é a seguinte:

 Qual o medo que o impede de ter momentos felizes? Qual o medo que o impede de crescer, ou se livrar das pessoas que não o deixam crescer?

Hoje tive a honra de receber 3 alunos queridos do 2 semestre de Secretariado Executivo da UNIP, (CORREÇÃO E MEA CULPA: OS ALUNOS SÃO DA UPIS, A QUERIDA FACUL QUE ME FORMEI EM 2004, E TODAS SÃO TÃO BOAS QUE A GENTE CONFUNDE…HEHE…SORRY) para gravar um vídeo (ahhh eu tenho pavor de gravar vídeos…hehe) com entrevista em inglês sobre a carreira, e falando sobre toda a minha trajetória de sucesso, que não foi chegar ao lugar mais alto, mas, sim ao lugar que me deixa mais feliz, cheguei a conclusão de que tudo o que conquistei foi por não ter tido medo.

Não! Mentira!

Eu tive medo sim, mas não permiti que ele se apoderasse de mim, e sendo bem clichê segui a filosofia de que “se tiver medo, vai com medo mesmo”!

Não tenha medo de crescer, de viajar, de conhecer pessoas novas, de conversar com estranhos, de gastar mais do que ganha (ops…e se for por uma excelente causa??), de mudar de curso, de mudar de profissão, de mudar de marido, de mudar de ambiente, de grupo de pessoas, tudo aquilo que não o deixa feliz, que não o deixa crescer, que não o deixa viver! Não tenha medo de desistir para ser feliz!!

Deixando claro que tudo deve ser feito com sensatez, para não machucar ninguém e nem a si mesmo, levando em consideração esse muito louco que vivemos!

Para encerrar esse momento raro, deixo um trecho do livro do meu querido amigo Moacir:

“Porém, muitas vezes paralisam-se as ações em função do medo. Não são vistas as alternativas por medo. O medo, muito mais do que as pernas, paralisa o cérebro, impede que se tenham as iniciativas que apontem as soluções criativas. O medo enrijece e elimina a flexibilidade. (…) Ter essa clareza frente a situações difíceis permite que se encontrem soluções, desde que esteja disposto a olhar mais uma vez”

Olhe mais uma vez!. Moacir Jorge Rauber. Editora Mundo Hispânico.