Ser poliglota por Karla Karina


 O convite veio inesperado, mas como eu sempre quis ser Jornalista e essa coisa de dar entrevista é algo que eu amo de paixão, aceitei na hora.

E digo que não aceitei falar sobre a minha pessoa para aparecer, esnobar ou por me achar melhor que as outras pessoas.

Muito pelo contrário. Sinto que estou neste mundo para ajudar e nem sempre a ajuda vem em forma de dinheiro, ela pode vir de várias maneiras.

E eu tenho sim uma história de vida maravilhosa. Não uma vida glamourosa porque morei fora por longos 8 anos.

E foi exatamente o oposto: nascida em uma família de classe média baixa, meus pais nunca deixaram nos faltar nada, mas sempre foram rígidos e sinceros com a apresentação do mundo para nós. E eu sendo a caçula, bem caçula não mudou em nada, muito pelo contrário também, pois eles me criaram tal qual como criaram seus outros 4 filhos.

Mas eu sempre fui muito para frente e essa pessoa que eu sou hoje é fruto dessa educação não liberal, mas de poder de decisão própria. Me mostraram o mundo como ele é, e ainda que aos trancos e barrancos, as vezes sim com muitas discussões, meus pais me deixaram livre para trilhar meu caminho.

E eu venho trilhando. São 30 anos, 10 deles dedicados a me tornar a profissional que sou e que ainda poderei ser.

Noites em claro para dar conta do recado, muito estudo, leitura e atenção aos detalhes.

E sim, tudo o que sou hoje, vem dos meus 4 anos em Moscou e isso de fato é o que mais me faz ser grata por tudo que tenho, sou e ainda serei.

Obrigada pelo carinho de quem ler o texto.

Beijos

Karla Karina

Entrevista publicada na intranet da ANTAQ:

 

La vida es bella. Life is beautiful. Жизнь прекрасна. La vie est belle. A frase “A vida é bela”, escrita respectivamente em espanhol, inglês, russo e francês, demonstra o domínio que a Secretária da Assessoria Internacional da Agência, Karla Karina de Souza Lopes, possui quando o assunto é idioma.

Seu aprendizado aconteceu por causa dos compromissos profissionais de seu pai. “Ainda na infância, precisei mudar do Brasil para a Argentina, onde fui alfabetizada. Apesar de minha família ser toda brasileira, aprendi primeiro o espanhol”, conta Karla, que, após a temporada em Buenos Aires, voltou com sua família ao Brasil.

No entanto, depois de apenas quatro anos, a secretária teve de deixar o país devido ao trabalho do seu pai, novamente. Mas aí a viagem foi um pouco mais longa e para um país muito diferente do Brasil. Para buscar estabilidade financeira, a família de Karla se aventurou em 1995 na gelada Rússia. A secretária tinha somente 11 anos. “Meu pai precisava economizar dinheiro. Não tinha férias para voltar ao Brasil. Além disso, viver na Rússia foi um choque. Não sabia inglês, muito menos russo”, lembra.

O aprendizado e a adaptação ao idioma russo não foram fáceis. Sem a ajuda de um professor, Karla precisou aprender sozinha. Seu companheiro de todas as horas era um dicionário, que sempre levava debaixo do braço. “Meu pai disse que não poderia pagar um tradutor. Até tive uma professora cubana que tentou me ensinar russo, mas a didática era ruim. Por sorte, estudei em uma escola que dava aulas de espanhol, então convivi ao mesmo tempo com os três idiomas: espanhol, inglês e russo. Mas aprendi na marra tanto o inglês quanto o russo”, diz.

Mesmo com as dificuldades e o choque de cultura, morar na Rússia trouxe grandes benefícios a Karla. Além do aprendizado da língua, ela confirma que a rigidez russa a tornou uma profissional capacitada e respeitada atualmente. “Senti a importância da Rússia na minha vida assim que entrei no mercado de trabalho aqui no Brasil, principalmente em relação à pontualidade e à dedicação. Sempre colocarei meu trabalho em primeiro lugar”, garante.

A experiência com o francês foi mais tardia. Por querer passar pelos processos seletivos para ser diplomata, Karla começou um curso que, atualmente, está para concluir.

Ao perceber a facilidade de Karla em aprender idiomas, o professor Adelson Marques, que ministra as aulas de francês na Cooplem Idiomas, fez um convite para a secretária. “Fui chamada para fazer teatro em francês pelo Adelson. Ele montou um grupo para fazer apresentações na Cooplem. Por esse motivo, continuo estudando francês. Já vamos para a segunda peça em maio deste ano”, diz.

Mesmo com a capacidade de falar cinco idiomas, Karla pretende aprender mais um: o latim. “Acho um idioma lindo”, opina a secretária.