Tire suas Dúvidas com Max Gehringer


maxSou fã do Max (com exceção do quadro Reunião de Condomínios…) por isso, vou postar algumas matérias dele que tenham a ver com o nosso mundo corporativo.

A primeira é sobre a fluência do inglês, e a segunda sobre contratação nível médio/superior.

Dúvida 1: Tenho uma dúvida sobre currículo. Acredito que possuo suficiente conhecimento de inglês e espanhol para colocar em meu currículo “Inglês Básico” e “Espanhol Básico”. Mas como posso saber se isso é verdade? Sendo otimista, talvez eu até pudesse colocar “avançado”, ou mesmo “fluente”. Sendo pessimista, resolvi perguntar antes.

Sua pergunta é muito pertinente.  Já vi muito candidato escrever esse “fluente” por ter concluído um curso avançado e, na hora de uma entrevista, pagar um mico. Na prática, existem duas categorias: o básico e o fluente. O básico permite compreender o sentido de um texto ou de uma conversa, mesmo sem entender mais de metade das palavras. Esse é o inglês ensinado em escolas. Por isso, quem conclui um curso avançado continua, para efeito de empresas, tendo o inglês básico. Já a fluência é a que se adquire falando continuamente outra língua. Dois anos no exterior já dão fluência.

Para saber se seu nível de inglês é bom, tente pronunciar cinco palavras: tough, though, thought, through e thorough 

A questão, mesmo, não é entre o básico e o fluente. É entre o básico e outra palavrinha que costuma aparecer em currículos: “noções”. Para quem avalia um currículo, “noções de inglês” significa “preciso aprender inglês”. Aqui vai um teste prático. Uma pessoa que tem “noções” não consegue pronunciar estas cinco palavras: tough, though, thought, through e thorough. Como elas são escritas de maneira bem semelhante, dá a impressão de que a pronúncia é parecida. Na verdade, os sons são muito diferentes (Táf. Dhôu. Thót. Thru. Dhôrou). Alguém que saiba não apenas pronunciá-las, mas o que significam, sem recorrer ao dicionário, tem inglês básico. A mesma coisa acontece com o espanhol, mas com uma diferença: nós, brasileiros, pensamos que sabemos falar espanhol. A semelhança entre as duas línguas é muito grande. Por isso, são frases como “Traje una pantalla” que separam quem pensa que sabe de quem sabe.

(Esse é um comentário meu: li em uma reportagem que vc pode avaliar se seu inglês é fluente ou avançado da seguinte forma: “Básico (pouca leitura e pouca escrita, sem conversação); Intermediário (leitura e escrita regulares, conversação com dificuldades); Avançado (boa leitura, boa escrita, conversação sem dificuldades); e Fluente (domínio do idioma)”. Ou seja, só coloque fluente se você tiver conhecimentos de fato excelentes da língua.)

Dúvida 2: Por que empresas contratam candidatos de nível superior para funções de nível médio? Essa é uma distorção temporária ou permanente?

Permanente. Pelo menos nas grandes empresas. Quando uma delas abre uma vaga que requer o nível médio e aparecem dezenas de candidatos com nível superior, dispostos a receber um salário equivalente ao nível médio, a empresa faz o óbvio: contrata os superqualificados.

Imagine que você vá a um supermercado para comprar bananas. E descubra que uma geléia de banana importada da Inglaterra custa o mesmo preço que meia dúzia de bananas. É evidente que a geléia vale muito mais. A geléia importada é, assim, uma banana com MBA. Aí, um consumidor normal pensaria: “Eu sempre vou poder comprar bananas, mas não sei se vou voltar a encontrar geléia importada a esse preço”. E compra a geléia. As empresas estão fazendo a mesma coisa: contratando funcionários com superqualificação a preço de banana.

São as empresas públicas brasileiras que estão fazendo o que devem: num concurso, se o nível exigido para o cargo é o médio, o pré-requisito para inscrição é o nível médio. E não o superior. Por isso, para quem tem nível médio, prestar um concurso público é muito mais interessante que encarar a fila de candidatos em uma empresa privada.

Por Max Gehringer